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terça-feira, 16 de outubro de 2012

Forte de Nossa Senhora da Gloria de Campinho


Muralha fortificada 

O Rio de Janeiro de modo particular foi sempre, desde a conquista do Brasil pelos portugueses, uma preciosidade natural cobiçada pelos europeus, em especial os franceses. Desde a invasão de Villegaignon, em 1555, com a tentativa de fundar em solo carioca a Franca Antártica, a cidade do Rio de Janeiro, ao longo da entrada e orlas da Baía de Guanabara, foi fortificada com defesas expressivas e, algumas de grande porte, como os fortes de Santa Cruz, da Lage, de São João, de São Thiago, de Graquatá, etc.
Após a invasão do Rio de Janeiro pelos corsários franceses Jean Francois Duclerc, em 1710 e Duguay-Trouin, este que, em 1711 traumatizou a população, foi que os governadores começaram a se preocupar com a fortificação da cidade pelo seu interior.
Em 1710, Duclerc, não conseguindo invadir o Rio, adentrando à Baia de Guanabara, dada a pronta resistência das baterias dos seus fortes, retrocedeu e foi desembarcar em Guaratiba. Daí marchou, quase sem atropelo, até ao centro da cidade onde, finalmente foi derrotado, preso e, posteriormente morto, graças á resistência da própria população, e dos soldados (cf. Fragoso, 2004).
O Terceiro Vice-Rei do Brasil, Marquês do Lavradio (1769-1779), deu início à construção de fortes, fortins e baterias, começando por Guaratiba e Sepetiba. Em 1775, por exemplo, foi construído o Fortim de Sernambetiba (Pontal de Sernambetiba), com duas baterias. Em seguida ergueu o Fortim de Itapoã, em Jacarepaguá e outros na Barra da Tijuca, no desfiladeiro da Serra do Matheus e no percurso Grajaú-Jacarepaguá (cf. Souza, 1885)
Logo no início do Iº Reinado foi construído o Forte de N. S. da Glória do Campinho. Dele nos fala e ilustra até com um desenho, a viajante e inglesa Maria Graham em seu “Diário de Viagem”(1956), quando de passagem, numa viagem de retorno a Santa Cruz, em 1821. O forte estava então começando a ser construído. Diz ela, no dia 23 de agosto, um bonito sábado de 1821: “... tivemos ensejo de admirar o campo em torno do Campinho, ... distinguindo-se por um novo forte de barro, agora em construção, num outeiro isolado que domina a estrada para a capital, através de morros e da planície.”
E, justificando a sua construção:
“A falta de um tal ponto de defesa foi sentida quando Duclerc desembarcou na Baía de Angra dos Reis, no começo do último século e marchou, sem parar, para a cidade”.
Sobre o Forte de Campinho, o historiador Coronel Augusto Fausto de Souza registrou, em 1885:

“Na estrada Geral de Santa Cruz, a 11 milhas da cidade, sobre uma colina, próxima ao cruzamento das estradas do Campo-Grande e de Jacarepaguá, foi construído, em 1822, o Forte de N.S. da Glória, armado com 9 bocas de fogo, e auxiliado por outras assestadas nas montanhas fronteiras, dominando essas estradas e a de Irajá, onde é hoje o Largo do Madureira. Posição estratégica de valor por estar entre um contraforte da Serra do Andarahy e as montanhas de Irajá, em uma espécie de desfiladeiro, dominando as duas estradas e servindo de guarda avançada deste lado da cidade, foram, tanto o forte como as baterias auxiliares desarmadas em 1831, sendo, no lugar do forte, estabelecido, desde 1852, o Laboratório Pirotécnico do Exército.”
Desenho do forte do Campinho - Maria Graham 1823

Portanto, este forte funcionou de 1822 a 1831, quando foi desarmado, juntamente com as baterias assestadas nos morros ao seu redor. Em 1852, ele foi transformado em Imperial Laboratório Pirotécnico do Exército. No Arquivo do Ministério da Guerra (AHEx) foi encontrado um “Mapa do Terreno ocupado pelo Laboratório de Campinho”, datado de 1867, no qual está representado o terreno, sem indicação de edificações, mostra as diversas chácaras da época, assinalando várias construções, a indicação de um cemitério e ruas já existentes naquela época: as atuais ruas Maria Lopes e Domingos Lopes.
Na Biblioteca Nacional encontram-se duas plantas: uma do forte em pontas, que coincide com o desenho de Maria Graham e com a descrição de Augusto Fausto de Souza (“9 bocas de fogo”) e outra do Forte e dos terrenos ao seu redor, posicionados em relação à Estrada Real, atual Av. Ernani Cardoso. Ambas as plantas estão assinadas pelo projetista prussiano e engenheiro militar Rudolph Waehneldt, o mesmo que assina os projetos dos edifícios do Laboratório, em 1851.
Imperial laboratório pirotécnico 1851

No Arquivo do Exército há plantas baixas e de fachadas dos edifícios, datados de 1851, portanto, no início da transformação do forte em Imperial Laboratório Pirotécnico. Grande coincidência e muito curioso é a planta baixa da Fábrica de Espoletas: um edifício medindo mais ou menos 36 metros de comprimento por 7 de largura, que o próprio Rudolph projetou e indicou sobre a Planta do Forte do Campinho, por ele reproduzida, com certeza a partir de alguma original. Ele também poderia ter feito uma nova planta, baseado no forte ainda existente. A planta está legendada em alemão e com escala em palmos. Este edifício está localizado no topo do antigo forte, e coincide com a atual ala existente denominada “Recanto 3º Esquadrão”, cujas paredes externas medem aproximadamente 60 cm de espessura. Paralelo a este edifício, com afastamento de uns 14 metros, formando um pátio interno, foi construído uma outra ala mais recente com as mesmas dimensões, porém, com paredes de espessura menor. As duas alas se interligam numa extremidade com um edifício, que seria uma antiga entrada desta unidade, dando ao conjunto a aparência de um portal. Outro edifício existente, parecido com a antiga Forja - a ser confirmado - faz parte do conjunto dos refeitórios e cozinha.

Depois da fase de Imperial Laboratório Pirotécnico e, mais tarde, já na República, simplesmente Laboratório Pirotécnico do Exército, que terminou no início do século XX, o local passou a sediar: o Quartel do Regimento Moto – Mecanizado, o Núcleo da Companhia de Comunicações da Divisão Blindada do Exército e outros regimentos. Finalmente, a área do antigo Forte N. S. da Glória do Campinho foi ocupada pelo 15º RC-Mec (Regimento de Cavalaria Mecanizada), até 2005, quando foi permutada pelo Exército com uma empresa privada de São Paulo.

Antigo almoxarifado do 5º regimento de cavalaria
Canhão de 1826
 
Pavimentação em pé de moloque
 
Escavações arqueológicas em 2007
 Fonte:
 http://www0.rio.rj.gov.br/patrimonio/proj_forte_nsgloria_campinho.shtm

Sobre o forte vejamos o que diz o fotolog da Zona Norte - 
http://fotolog.terra.com.br/znorte:387



Em 6/08/2010, às 23:01:47, Irajá disse:
Na foto, em primeiro plano é uma porta d’armas que existiu um pouco mais atrás da que era do 15º Regimento de Reconhecimento Mecanizado, e que foi demolida junto com os pavilhões de alojamentos. Logo a seguir esta a escadaria do forte propriamente dito, e que ainda esta lá intacta, bem como os pavilhões que aparecem sobre a colina. Este conjunto encontra-se encoberto de visão da Av. Ernani Cardoso por arvores que foram plantadas na meia encosta muito tempo após a foto. É o conjunto arquitetônico na colina, por ser o verdadeiro forte, o objeto de tombamento, e em nada foi afetado pelo decreto de liberação de imóveis para a demolição por obras do T5. O Condomínio dos Girassóis que seria construído no entorno da colina foi embargado pelo Município. O tombamento do Forte de N. S. da Gloria esta em processo no IPHA, sendo portanto de ação Federal. Os imóveis liberados estavam em tombamento provisório, e ainda sem inscrição, no Município do Rio de Janeiro. Nenhuma ameaça há ao Forte a não ser que os incorporadores do Girassóis possam alcançar algum ganho de causa contra o embargo. É torcer para que a justiça confirme a decretação do embargo e a anulação do processo de venda do terreno.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Resultados dos desfiles das escolas de samba dos grupos C D E - Estrada Intendente Magalhães - Campinho

Jacarezinho vence no Grupo C e volta para a Sapucaí em 2013

Redação SRZD | Carnaval | 23/02/2012 20h24
Mais uma vez, na apuração dos Grupos C, D e E da Associação das Escolas de Samba da Cidade do Rio de Janeiro, os pontos perdidos nas obrigatoriedades foram fundamentais, como de costume. Várias escolas foram penalizadas por não apresentar número mínimo de componentes nas alas das baianas e bateria. Outra punição frequente foi devido ao uso de instrumentos de bateria com o logotipo de outras escolas.


Jacarezinho de volta ao Sambódromo

No grupo C, a grande campeã foi a Unidos do Jacarezinho, que levou para a Intendente Magalhães uma homenagem ao compositor mangueirense Nelson Sargento. Num desfile marcado pela emoção, a rosa, branca e verde apresentou um desfile com fantasias caprichadíssimas e se apegou ao canto e à boa evolução para garantir seu retorno ao Sambódromo no ano que vem. A vice-campeã foi a Unidos de Villa Rica, de Copacabana, com um enredo sobre a Feira de São Cristóvão. Foram rebaixadas para o grupo D a Arrastão de Cascadura, Unidos do Cabuçu, Acadêmicos da Abolição, Lins Imperial e a Independente de São João de Meriti. A última não se apresentou para o desfile.



Lucas consegue o segundo acesso seguido

A tradicional Unidos de Lucas foi a campeã do Grupo D, com um enredo sobre o circo. O Galo da Leopoldina fez um desfile alegre e contagiante, com um forte samba-enredo que foi muito cantado pelos componentes. Este é o segundo acesso seguido da vermelho ouro, já que havia sido a campeã do grupo E no ano passado. Logo atrás ficou a Mocidade Unida de Jacarepaguá. A escola da Cidade de Deus fez um belíssimo e luxuoso desfile mas acabou deixando escapar o título após ser penalizado nas obrigatoriedades, quando perdeu exatamente os dois décimos de diferença para a campeã. Desceram para o grupo E a Leão de Nova Iguaçu, Unidos do Anil, Unidos de Manguinhos, Vizinha Faladeira e Flor da Mina do Andaraí.



No desempate, Boca de Siri  conquista o título

A disputa mais acirrada aconteceu no grupo E, onde a campeã só foi conhecida após a leitura da última nota de bateria. Até o último quesito, a Chatuba de Mesquita liderou a disputa contra a Boca de Siri. Porém, a bateria comandada por Mestre Beto, ex-Imperatriz, pesou na hora de decidir. A escola da Baixada perdeu um décimo, o que a deixou empatada com a Boca de Siri. No desempate, a agremiação de Ramos ficou com o acesso, também o segundo seguido, assim como a Unidos de Lucas. A campeã fez um lindo desfile, com um enredo em homenagem às mulheres. Muito luxo e capricho nas fantasias e alegorias, um canto muito forte e a ótima evolução foram fundamentais para a conquista. Foram rebaixadas e desfilarão no primeiro grupo dos blocos de enredo a Unidos do Cabral, Imperial de Nova Iguaçu, União de Vaz Lobo, Delírio da Zona Oeste e Paraíso da Alvorada.



O G.R.E.S. Boca de Siri, de Ramos, estreante da Associação das Escolas de Samba por ter sido campeão na Federação dos Blocos no carnaval de 2011


 http://www.sidneyrezende.com



sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

As Escolas que Sonham com a Sapucaí

Foto Eliane Carvalho Riotur Agenda Grupo de Acesso–Intendente MagalhãesO Carnaval do Rio de Janeiro não é só feito das Escolas de Samba da Sapucaí, tem muita gente ralando para um dia chegar lá. E esse pessoal desfila no coração da Zona Norte do Rio de Janeiro, no Campinho, mais especificamente na Avenida Intendente Magalhães. São os desfiles dos grupos de  acesso C, D e E, cada um desfila em dia, domingo, segunda e terça, respectivamente.
Detalhe para entrada, gratuita. Mas fica cheio, muito cheio!
Confira abaixo a ordem dos desfiles que acontecerão nos dias 19, 20 e 21 de fevereiro de 2012 na Intendente Magalhães.


Grupo C – 19 de fevereiro | Domingo às 19h

  • Independente de São João de Meriti
  • G.R.E.S. Rosa de Ouro
  • Lins Imperial
  • G.R.E.S. Unidos da Ponte
  • G.R.E.S. Império da Praça Seca
  • G.R.E.S. Unidos da Vila Kennedy
  • G.R.E.S. Arrastão de Cascadura
  • G.R.E.S. Favo de Acari
  • G.R.E.S. Unidos da Villa Rica
  • G.R.E.S. Em Cima da Hora
  • G.R.E.S. Acadêmicos da Abolição
  • Acadêmicos do Sossego
  • G.R.E.S. Boi da Ilha do Governador
  • G.R.E.S. Unidos do Jazarezinho
  • S.E.R.E.S. Unidos do Cabuçú

Grupo D – 20 de fevereiro | Segunda às 19h

  • C.C.E.S. Flor da Mina do Andaraí
  • G.R.E.S. Unidos de Cosmos
  • A.R.E.S. Vizinha Faladeira
  • G.R.E.S. Acadêmicos do Engenho da Rainha
  • G.R.E.S. Unidos do Anil
  • G.R.E.S. Mocidade Unida de Jacarepaguá
  • G.R.E.S. Unidos de Lucas
  • G.R.E.S. Leão de Nova Iguaçu
  • G.R.E.S. Acadêmicos de Vigário Geral
  • G.R.E.S. Unidos de Manguinhos
  • G.R.E.S. Gato de Bonsucesso
  • G.R.E.S. Corações Unidos do Amarelinho
  • G.R.E.S. Acadêmicos do Dendê

Grupo E – 21 de fevereiro | Terça às 19h

  • C.C.E.S. Canários das Laranjeiras
  • G.R.E.S. Unidos do Cabral
  • G.R.E.S. Boca de Siri
  • G.R.E.S. Mocidade Independente de Inhaúma
  • G.R.E.S. Paraíso da Alvorada
  • G.R.E.S. União de Vaz Lobo
  • G.R.E.S. Matriz de São João de Meriti
  • G.R.E.S. Chatuba de Mesquita
  • G.R.E.S. Mocidade Unida do Santa Marta
  • G.R.E.S. Delírio da Zona Oeste
  • G.R.E.S. Arame de Ricardo
  • G.R.E.S. Imperial de Nova Iguaçú
 http://www.diariodorio.com/agenda-grupo-de-acessointendente-magalhes/

Interessante é ver escolas que ja fizeram sucesso no grupo especial desfilando fora da Marques de Sapucaí.
Unidos de Lucas, Arrastão de Cascadura, Lins Imperial, Unidos da Ponte, Cabuçu, ou  a Em Cima da Hora, que ficou na historia com o enredo "Os Sertões". Enfim umas subiram e outras cairam.