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domingo, 4 de agosto de 2013

A LENDA DA PEDRA DA CRUZ

                                                            Mapa de João Teixeira Albernaz - 1666
Este documento foi um dos primeiros a mostrar a expansão do povoamento da cidade às margens da Baía de Guanabara. E foi nessa orla que aconteceu essa história, resgatando a origem de um local que está quase esquecido dos cariocas.
Você já ouvir falar do Engenho da Pedra? Era uma enorme fazenda que abrangia os atuais bairros de Olaria, Ramos, Bonsucesso e parte de Manguinhos, ocupando a maior faixa do Mar de Inhaúma, entre o porto de Maria Angu (Ramos) e a Ponta do Caju. O engenho era favorecido pelos rios Faria e Timbó para navegação e irrigação das lavouras.
O nome "da Pedra" refere-se a uma certa rocha no mar (uma laje), indicada por João Teixeira Albernaz no mapa acima e que era utilizada como referência à localização do engenho. Essa pedra existe ainda hoje, no canal entre o litoral de Ramos e a Ilha do Governador.
Geração após geração, desde meados do século 18, os pescadores da região vêm repassando a lenda da laje, que também ficou conhecida como "Pedra da Cruz". Eles contam que nela havia uma cruz de ferro de um metro de altura, colocada pelos pescadores como marco de um naufrágio que aconteceu no regresso de um casamento realizado na Igreja da Penha. 
Um temporal surpreendeu os navegantes nesse terrível canal marítimo. A preamar havia ocultado algumas pedras, submergindo-as, e o barco foi de encontro a elas, afundando. Morreram os noivos e os convidados, salvando-se somente um remador, que narrou a tragédia.
Em 1638, as terras do Engenho da Pedra foram designadas como fazenda e abrigavam também uma capela dedicada a Santo Antônio. Da antiga casa-sede restam algumas ruínas, que foram ocupadas pela Favela da Igrejinha, na elevação onde está a Igreja de N. Sr.ª da Conceição de Ramos.

Notas
1) O círculo vermelho no mapa acima indica a  Pedra da Cruz
2) Mapa aquarelado, com toques a ouro, sobre papel encorpado - 25x37 cm -  Livro de Toda a Costa da Provincia de Santa Cruz, 1666

http://serqueira.com.br/mapas/pcruz.htm

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Fantasmas da Ponte Rio Niteroi


A Ponte Presidente Costa e Silva, popularmente conhecida como Ponte Rio-Niterói, localiza-se na Baia de Guanabara, ligando as cidades do Rio de Janeiro e Niterói.
O conceito de seu projeto remonta a 1875, visando a ligação entre os dois centros urbanos vizinhos, separados pela baía de Guanabara ou por uma viagem terrestre de mais de 100 km, que passava pelo município de Magé. À época havia sido concebida a construção de uma ponte e, posteriormente, de um tunel.
Entretanto, somente no século XX em 1963, foi criado um grupo de trabalho para estudar um projeto para a construção de uma via rodoviária. 


Na construção da Ponte Rio–Niterói, inaugurada em março de 1974, alguns dos seus 10.500 operários morreram afogados na baía de Guanabara. 

Aí começa a lenda...

Durante a construção deste gigantesco monumento, de certo houve muitos acidentes, alguns graves, provocando até a morte de operários. Às vezes por algum descuido um homem caia do alto da ponte, outro caia da embarcação.... Cerca de 5 funcionários morrem atropelados na Av. Brasil quando faziam sinalização da obra.

Destas mortes criou-se uma das mais famosas LENDAS URBANAS do RJ: Durante a fundação submarina da ponte, vários mergulhadores teriam se afogado. Reza a lenda que  existem nas colunas da ponte, centenas e centenas de homens “nordestinos’ que por inexperiência teriam ficado presos e ali morreram no concreto”.

Hoje quando se caminha na parte interna da ponte, (área restrita a manutenção), é possível ouvir os gritos de socorro dos fantasmas daqueles pobres trabalhadores.. Há quem diga que tudo isso é verdade: Ou não... Mas LENDA URBANA é isso; se inspira em fatos reais e sobrevive da imaginação e credibilidade que lhe é dada pelas pessoas.

Procurando na internet, vi esse depoimento da blogueira Leila Franca, que morando no Rio, precisava atravessar a ponte todos os dias para estudar em Niteroi.

" Quando eu voltava, já eram umas 11h da noite e muitas vezes vi todas as pistas vazias. Só eu lá.

Às vezes o vão central ficava dentro de uma nuvem de neblina. Eu ia dirigindo e de repente entrava dentro da nuvem. Era um cenário estranho. Tudo branco. Pensava que se fantasmas existissem, então alguns deles deviam morar bem ali.

Eu tinha uma sensação inexplicável ao me aproximar do ponto mais alto da ponte. Alguma coisa na atmosfera mudava ao atingir aquela área. Quando voltava tarde da noite, sozinha, costumava me distrair conversando comigo mesma em voz alta. Passava a vida à limpo e até cantava a toda altura. Era como estar sozinha no mundo.

Com o tempo, passei a cumprimentar os supostos fantasmas, assim que passava pelo local. "Alô! Alô! Estou na área! Vou passar no meio de vocês! Não precisa se assustar! Segurem o vendaval por 10 minutos!"

Fiz isso durante muito tempo brincando, feliz da vida. Mas uma vez, quando eu tinha acabado de passar pelo vão central em direção ao Rio, num ponto onde podia ver quase toda a pista, deserta aquela hora da noite, um carro preto passou por mim numa velocidade tão grande, que eu não vi ele se aproximando e creio que no tempo de um piscar de olhos desapareceu no horizonte. Eu devia estar a 90 km/h. E aquele automóvel? Estava a 200 km/h?

Até hoje tenho dúvidas se aquele carro era mesmo de verdade."
 
Verdade? Mentira? Eu quando passo pela ponte fico so olhando pra frente, morro de medo daquele marzão la embaixo. Agora que eu to sabendo desses "fantasmas", acho que não volto a Niterói tão cedo.


Fontes:
Wikipedia
Blog da Leila Franca
Sobrenatural.org/lendaurbana

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Uma noite no museu - fantasmas Imperiais


Aproveitando o clima do halloween, nada melhor que uma historinha de fantasmas.
Reza a lenda que fantasmas do Império assombram visitantes e funcionários do antigo palácio, hoje Museu Nacional, na Quinta da Boavista. Um dos mais famosos é o da primeira esposa de Pedro I, a Imperatriz Leopoldina. Antes mesmo de virar assombração, Leopoldina já tinha arrepiado muitos cabelos nos idos do Oitocentos por conta de sua morte misteriosa em idade jovem. A tragédia teria ocorrido devido a uma queda logo após uma briga com o marido, onde teria sido humilhada diante da rival, Domitila. O episódio da morte é um mistério, mas muitos pesquisadores acreditam que a mulher – que estava grávida – teria sido agredida fisicamente por Pedro I e, logo depois, rolado as escadas do Paço Imperial. Seu fantasma ainda vaga pelos corredores do Museu Nacional e inclusive ajudou em novas descobertas acadêmicas.
Pelo menos é o que conta Regina Dantas, que viu Leopoldina com os próprios olhos, em 1998: “As pessoas têm medo de andar pelo palácio. Mas naquele dia, fui ao banheiro sozinha e, no trajeto de volta, vi um vulto que parava e ficava olhando para trás. Com um vestido branco. Aí eu acelerei, podia ser uma pessoa. Quando virei uma curvinha para continuar seguindo a mulher, ela desapareceu no corredor comprido. Corri de volta para a minha sala e percebi: eu vi a Leopoldina”. Na ocasião, Regina fazia uma pesquisa com cinco estagiários sobre um suposto museu dentro da casa de Pedro II, buscando de que maneira teria surgido a mania de coleções do segundo imperador. Após ver a Imperatriz pelos corredores do museu, uma ideia se acendeu em sua cabeça como uma lâmpada: “Comecei a investigar a mãe e percebi que a mania de colecionismo do Pedro II vinha mesmo dela”.
Os eventos bizarros que ocorrem no museu não param por aí. Certa vez, um historiador tirava fotos pelos corredores do palácio para saber mais sobre as fantasmagóricas aparições. E eis que, aos pés da escada onde Leopoldina teria rolado, fotografou uma coisa estranha: uma fumaça. Seria novamente o vulto da Imperatriz? Muitos acreditam que sim.
O vigia do Horto, na Quinta da Boa Vista, é um deles. Seu Eurico ouvia todas as noites um barulho de máquina de escrever quando fazia sua ronda, nos tempos que trabalhava no Museu Nacional. Apesar de investigar a origem do barulho por todos os cômodos em que passava, jamais achou o cidadão que digitava no aparelho madrugada a dentro. Quando soube da história de fantasmas que vagavam pelo antigo Paço, logo captou o recado: era uma máquina de escrever mal assombrada. Resultado: pediu afastamento do Museu e hoje trabalha em outra região da Quinta, a salvo dos fantasmas imperiais.

Pós-graduado em História, o arquiteto Milton Teixeira lembra que os relatos das aparições de Leopoldina começaram no Império. No livro "A imperatriz Leopoldina - sua vida e sua época", o autor Carlos Oberacker conta que D. Pedro I teria visto a imagem da falecida mulher numa festa no palácio. Na visão, Leopoldina - que morreu aos 29 anos, grávida e deprimida com as traições do marido - estava triste.
- D. Pedro ficou tão apavorado que foi correndo para o quarto chorar - conta Milton Teixeira, que promove tour aos prédios mal-assombrados.

Fonte Revista de Historia da Biblioteca Nacional


quarta-feira, 18 de julho de 2012

De Parada Gambá à Piedade


Em 1873 foi construída  a estação ferroviária do hoje bairro da Piedade. Conta o historiador Andre Nunes: No momento de expansão ferroviária do Império em direção à Zona Norte da cidade do Rio, o Imperador resolveu fazer uma parada em uma região onde havia vários gambás. Por conta disso, o lugar ficou conhecido como Parada Gambá ".
Reza a lenda que a população do bairro, cansada de ser humilhada pelos moradores dos bairros vizinhos, fez correr um abaixo assinado pedindo que trocasse o nome do bairro. Um morador foi até o imperador e pediu: "Por piedade troque o nome do nosso bairro". O imperador levou ao pé da letra o pedido e assim surgiu o bairro de Piedade. História ou estória, o que importa é que o bairro realmente já se chamou Parada Gambá e hoje se chama Piedade.

Igreja de Nossa Senhora da Piedade, inaugurada em 26 de outubro de 1915 pelo Cardeal Arcoverde

                                                   Bonde Piedade - 1950


                                                        Universidade Gama Filho
                                             

                                                    Igreja Divino Salvador


Fontes:
http://www.flickr.com/photos/bethcastelo/3466695081/sizes/z/in/photostream/
Site Piedade Esporte Clube
Blog Curiosidades Cariocas

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Ilha de Paquetá - A Lenda da Maria Gorda





Maria Gorda é um baobá - uma árvore que existe na Praia dos Tamoios, quase na esquina da Ladeira do Vicente. Ela é originária das savanas da África, e também existe em quantidade no asteróide B 612 de "O Pequeno Príncipe", de Antoine de Saint-Exupéry...Ela é muito conhecida por aqui, não só por ser a maior representante do nosso reino vegetal e pela beleza das suas formas e das suas flores, mas também pela lenda que em torno dela se desenvolveu em Paquetá.

Maria Gorda é como os escravos chamavam Maria Apolinária da Nação Cabinda - uma mucama simpática e de sorriso largo, que trabalhava na casa de um rico comerciante português que morava na Ilha e que tinha muitos escravos.
Maria Apolinária não se conformava com a escravidão e principalmente com o que chamava de ingratidão dos seus senhores brancos, que moravam nas casas construídas pelos negros, andavam pelas ruas abertas pelos negros, comiam a comida plantada e preparada pelos negros, usufruíam do trabalho escravo realizado pelos negros... mas não mostravam sequer um ato de gratidão que marcasse a lembrança do trabalho africano por aqui...

E Maria Apolinária sempre dizia que marcaria essa história. Que quando morresse pediria aos seus orixás para que providenciassem uma forma qualquer de deixar enraizado na Ilha essa lembrança da África negra, que se não era reconhecida no nome das ruas, das praças, e dos monumentos, de alguma forma o seria pela própria Natureza de Paquetá.
E assim realmente aconteceu: numa manhã de primavera, a rede de Maria Apolinária na senzala da casa do seu dono português amanheceu vazia... e ninguém nunca mais viu Maria - a "Gorda"... mas alguém notou que nesse mesmo dia, em frente à casa onde morava Maria, apareceu um arbusto que nunca existira em Paquetá e, ainda mais, que ao contrário do que sempre ocorre, este era um exemplar solitário, diferente do que costuma acontecer no seu local de origem: as savanas da África.
E dizem que no mesmo dia em que Maria Apolinária morreu a Maria Gorda nasceu fincando assim raízes profundas da África em Paquetá.






O Baobá - Maria Gorda
Localização: Praia dos Tamoios em frente ao nº 425

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

A Lenda da Pedra da Onça

Num dos recantos mais bonitos da Ilha do Governador, no final da Praia da Guanabara, estão aglomeradas grandes pedras arredondadas que parecem que foram ali colocadas cuidadosamente pelo Criador.
Uma dessas pedras, a mais alta delas, serve de pedestal para uma estátua bem singular: a estátua de um gato-do-mato ou maracajá, felino característico da Ilha do Governador no Século XVI, época em que os índios habitavam a localidade, hoje infelizmente desaparecido da região.
Pela semelhança dessa espécie com a onça, a pedra ficou conhecida como Pedra da Onça e é um dos pontos turísticos do bairro, local de onde se descortina magnífica vista e de onde se pode vislumbrar o Dedo de Deus, pico da cadeia de montanhas que formam a região serrana do estado do Rio de Janeiro.
Mas por que foi erigido nessa pedra um monumento a um felino?
Conta a lenda que uma índia da tribo ali localizada ia todos os dias, no fim da tarde, até a praia, com seu gato maracajá que criava desde filhote e lá ficava a mergulhar da pedra durante horas. Um dia, porém, a jovem índia mergulhou e não mais voltou, ficando o gato a esperá-la, olhando para o mar até não mais agüentar e morrer de fome, apesar da tentativa dos índios em retirá-lo do local.
Essa lenda, não confirmada pelos historiadores, inspirou um grupo de moradores, na década de 1920, a erguer o monumento em homenagem à fidelidade do animal. O artista plástico Guttman Bicho projetou e esculpiu o maracajá,. Em 1965 a estátua original, já bem castigada pelo tempo, foi substituída por outra que lá está até hoje.
Verdade ou não, a lenda atravessou os tempos contada pelos moradores do local e a Pedra da Onça é um lugar mágico onde qualquer pessoa sente um impulso irresistível de sentar numa pedra e ficar observando o mar, como quem espera ver a jovem índia emergir das águas e assim acalmar o espírito do fiel gato maracajá que, com certeza, ainda ronda o local esperando sua dona voltar.

http://www.ilhacarioca.com.br/a-lenda-da-pedra-da-onca


A "onça" original nos anos 1940
A "onça" atual que está lá desde 1965